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domingo, 3 de março de 2013

Amparar-se.

Queria um abraço ao qual pudesse recorrer instantaneamente quando preciso. Sem explicações ou questionamentos.
Um abraço, que com as mãos desses braços, acariciasse de leve minha face a fim de limpar minhas lágrimas - mas não com a intenção de fazê-las cessar.
Deixar escorrer as lágrimas de tantos sabores, amores e dores.
Queria um amparo onde não importasse o motivo do choro nem do lamento: acontecimentos diários ou momentos de bipolaridade, não interessa.
Esse abraço, talvez - não me iludo mais - seja o meu próprio.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Trecho de "Triste Fim de Policarpo Quaresma" - Lima Barreto

"Tudo isso irritava profundamente Quaresma. Vivendo há trinta anos quase só, sem se chocar com o mundo, adquirira uma sensibilidade muito viva e capaz de sofrer profundamente com a menor cousa. Nunca sofrera críticas, nunca se atirou à publicidade, vivia imerso no seu sonho, incubado e mantido vivo pelo calor dos seus livros. Fora deles, ele não conhecia ninguém; e, com as pessoas com quem falava, trocava pequenas banalidades, ditos de todo o dia, cousas com que a sua alma e o seu coração nada tinham de ver.
Esse encerramento em si mesmo deu-lhe não sei que ar de estranho a tudo, às competições, às ambições, pois nada dessas cousas que fazem os ódios e as lutas tinha entrado no seu temperamento.
Desinteressado de dinheiro, de glória e posição, vivendo numa reserva de sonho, adquirira a candura e a pureza d'alma que vão habitar esses homens de uma ideia fixa, os grandes estudiosos, os sábios, e os inventores, gente que fica mais terna, mais ingênua, mais inocente que as donzelas das poesias de outras épocas.
É raro encontrar homens assim, mas os há e, quando se os encontra, mesmo tocados de um grão de loucura, a gente sente mais simpatia pela nossa espécie, mais orgulho de ser homem e mais esperança na felicidade da raça. (...)"

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Assim, descontraído

A água quente estremecia seu corpo e relaxava seus músculos cansados de nenhum exercício a não ser sentar, ler, levantar, sentar... A luz da lua começava a brilhar, seus olhos se perderam em qualquer ponto do espaço onde se encontrava e os pensamentos encheram a mente.
Se houvesse amor, ela beijaria os seus defeitos sem se importar, pois os defeitos se tornariam amados. E se o amassem de verdade, aceitariam sua escolha. Claro que nem todos veriam a intensidade e o sentimento que fez com que ele optasse por isso, mas, ao menos, entenderiam.
A vida se faz, ao pensar assim, algo tão simplesmente complexo. Pessoas, acontecimentos, sentimentos, relações... Momentos. Um momento qualquer, palavras jogadas da boca para o ar sem nenhuma pretensão de atingir alguém, frases acompanhadas de risos, frases ou palavras marcantes para serem repetidas e ridas até...
Tudo o que viveu, o que aprendeu, gostou, amou. Tudo o que está vivendo, aprendendo, gostando e amando. E tudo isso no futuro também; continuar, repetir, moldar, estruturar, renovar. É sempre assim.
Com frequência lhe acontecem nostalgias profundas e angustiantes, mas essa, ainda pelo teor sufocante, não estava sendo assim. Leve, curiosa e morrendo de sede: desse jeito, essa nostalgia diferente para alguém tão confuso.
Queria dizer a todos ao seu redor o espaço que ocupam em sua vida, com toda aquela breguice que ele às vezes deixa escapar. O quanto gosta da convivência, dos risos e até das tristezas.
Imaginou se parasse de existir naquele exato segundo... Mas, bobagem. Porque existindo ou não, levaria consigo todo esse sentimento para sempre. Ninguém nunca saberia dos prazeres que os amigos lhe proporcionavam, do bálsamo do amor vivido e do gosto amargo do não-correspondido.
Pelo menos... Não do jeito que ele sempre irá saber.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Os fios de cabelos mexiam-se inquietos pelo vento, acariciando o peito, fazendo cócegas no pescoço e arrepiando as costas. Deve ter molhado os lábios, mas eles insistiam em ficar com pequenos riscos da secura. Porém a cor rosada dos lábios - talvez do batom, talvez não – permanecia. Sentada na cama do quarto, olhando para o nada... Nem sequer sabia se estava pensando. Não entendia mais nada. Músicas se confundiam, cenas eram fumaças... Não havia choro porque não havia motivo. Poderia estar lendo ou então conversando ao telefone, assistindo amenidades na televisão, mas estava ali: seu quarto, sua cama, o vento da janela. Também não tinha absolutamente nada de especial nesse cenário. Por que tem que se explicar e dar razão as coisas, aos atos, aos sentimentos? ... Sentimentos. Quisera não sentir, quisera não lembrar – seu coração apertou.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Palavras soltas na mente

Ausência. Presença. Lembranças. Nostalgia. Sorrisos. Olhares. Cor de mel. Sol. Toque. Riso. Fala. Delicadeza. Mocidade. Doçura. Loucura. Felicidade constante. Músicas. Dourado. Molequice. Envolvente. Viajem. Beleza. Mistério. Sonhos. Vontade. Desejo. Delírio. Alucinação. Querer. Não poder. Olhos. Sedução. Alegria. Infantilidade. Conversa. Provocação. Indiferença. Ilusão. Ignoração. Tristeza. Lágrimas. Desespero. Esperança. Cansaço. Amor.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Mar

Compreendo que nem todos tem o dom de se expressar pelas palavras e que elas não aparecem quando se quer. Elas aparecem saltitando na sua mente nas horas mais impróprias.
Me sinto bem inútil de não conseguir, por exemplo, descrever o que se passa, agora, em meu íntimo. Fico um pouco chateada de as palavras não aparecerem dançando aqui dentro para me ajudar.
É uma mistura de insanidade com sobriedade absurda.
Um misto de preocupações excessivas com pontos de interrogações sem fim... Literalmente uma confusão extremamente cansativa.
É uma distração divertida e, no momento seguinte, um baque de tristeza e lembranças.
É idiotice, estupidez, realidade, ilusão. Ilusão.
Eu sei que todos esses sentimentos são resultantes de um conjunto de motivos, mas ao mesmo tempo, desconheço esses motivos.
Não aguento mais me afogar nesse mar sem nome, sem endereço, sem localidade. Nesse mar de nada, de ninguém. Nesse mar de incógnitas!
Acho que cansei.

domingo, 25 de julho de 2010

Sobre a sua pele

Sua pele poderia ser comparada a uma pétala de rosa. Só que fico com receio de fazer tal comparação, pois sua pele parece de um aveludado, de uma maciez superior a qualquer coisa. Superior e melhor até do que uma pétala de rosa. No entanto, aquela gotícula d’água que escorria em sua face tranqüila me deixara perturbada; não sabia se era uma lágrima ou uma gota de orvalho...

sábado, 13 de março de 2010

... Para aliviar a minha dor

Uma mistura de sentimentos. Uma mistura de pensamentos. Tantos e tão misturados que nem os definir eu consigo.
Dúvidas cruéis. Não sei se consigo transmitir quem, na verdade, eu sou. O que eu sinto, o que penso... Pareço-me tão misteriosa mesmo para mim mesma. Tento me achar. Mas o que acho, como saber se é o que me define?
Mutação constante é a fase que pareço estar. Uma agonia enorme em não saber responder perguntas que parecem tão toscas, em não saber no que vai acontecer. Nada faz sentindo. Algo está faltando e eu não posso acreditar nisso. Minha vida está boa. Então por que esse vazio aqui dentro?
Choros idiotas por nada acontecem com freqüência. Besteiras miúdas já são o motivo para tudo desmoronar.
Peço a solidão e observo a chuva cair, como o choro molha a minha face.
Às vezes rio debilmente de mim, preciso de alguém que me conforte no íntimo. Por enquanto meu consolo são as lágrimas que me cariciam a pele, limpando as impurezas da tristeza e da nostalgia...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Sensibilidade

Lágrimas escorrem pela minha face e eu nem mesmo sei o porque. Não quero admitir que seja por essa idiotice toda, não quero admitir que isso me faça chorar. É tão estranho, tão confuso... Porque me comporto de tal forma? Era para mim estar... normal. Qualquer meia palavra se reflete em um sentido enorme, qualquer olhar, qualquer imagem, qualquer gesto! E as pequenas lágrimas já estão a espera para cair. (...) De repente tudo passa a ser visto com uma visão crítica; tudo se transforma em choro. Tudo transforma-se em motivo para chorar, nem que seja de felicidade. E eu estava tranquila a minutos atrás. Tome cuidado para não me emocionar porque eu não tenho total controle sobre minhas vias lacrimais.